Ruy Castro disse uma vez que organizar listas é o “esporte favorito dos cinéfilos” e acho que ele tem uma boa parcela de verdade nisso. É um exercício metódico de síntese de raciocínio e, não que eu o leve tão a sério – e nem são para isso – mas é muito divertido chegar no final do ano e fechar uma lista de favoritos, como uma primeira reflexão sobre essas obras que só o tempo dirá como serão lembradas
Como se não bastasse uma lista essa coluna traz duas: uma dos melhores álbuns e outra dos melhores filmes de 2025. Ambas com linha de corte no 25 mais menções honrosas. Claro que a ordem é um pouco arbitraria, por mais que considere um bom exercício ordenar – o top 3 de álbuns, por exemplo, poderia estar em qualquer ordem, mas claramente gosto de qualquer um deles mais que o 20º, que ainda adoro – então ela não deve ser levada a ferro e fogo.
OS ÁLBUNS DE 2025
Se há um fenômeno que percebo dentro da diversidade dessa lista, vendo depois de pronta, é de como esse ano consolidou o que chamarei aqui de alternativo escandinavo. Popenhagen, para alguns, pelo foco que tem na capital da Dinamarca com artistas como Erika de Casier, Smerz e ML Buch mas acho que se expande para um pouco além, pelo menos para a Suécia e Noruega, como os álbuns nessa lista de Jenny Hval e Anna Von Hausswolff, que compartilham de uma visão de música e do pop muito parecida com as dinamarquesas.
É o tipo de movimentação que refresca os ares do pop e me deixa bem otimista em acompanhar, nesse último ano não apenas deu para sentir essa cena como uma descoberta dela por muita gente, como se elas tivessem deixado de ser o “futuro” que muita gente falava e se tornassem, de fato, o presente.
Também foi um ano que senti a pandemia sendo tratada com um distanciamento reflexivo que trouxe para algumas obras um amadurecimento bem interessante, como o caso do álbum de Perfume Genius e o de Jenny Hval, são projetos que deram tampo de digestão de pensamentos e deixaram de serem canções de reação ao isolamento, como visto aos montes nos últimos anos, e passaram a ser raciocínios próprios e complexos que levam esse período como apenas um de seus fatores.
Menções honrosas, em ordem alfabetica:
- billy woods – GOLLIWOG
- Blood Orange – Essex Honey
- Clipse – Let God Sort Em Out
- Marie Davidson – City of Clowns
- Oklou – Choke Enough
- Smerz – Big City Life

25. Stereolab – Instant Holograms on Metal Film
O primeiro álbum do Stereolab em 15 anos é um retorno caloroso para o particular mundo retro futurista de Lætitia Sadier, há nele todas suas idiossincrasias eletrônicas, mas também um claro amadurecimento, criando um som complexo que dá conta das múltiplas paisagens abstratas e utopias que são propostas, talvez os espiralares minutos finais do single Melodie is a Wound sejam o melhor exemplo disso.

24. FKA twigs- Eusexua
Talvez a característica mais fascinante de FKA Twigs seja sua imprevisibilidade, depois de uma exploração de uma sonoridade mais pop em Caprisongs ela decide aqui ir ainda mais fundo e se apropriar de uma linguagem da música dançante da virada do milênio e trabalhar isso a sua maneira. Como se ela tragasse ao seu universo particular cantoras como Madonna, Kylie Minogue e Britney Spears reformulasse esse pop de forma extremamente autêntica.

23. PinkPantheress – Fancy That
É muito difícil ouvir o hit illegal, que abre Fancy That, sem querer logo depois ouvir todos seus 20 minutos. É até curioso a insistência de PinkPantheress em chamar seu segundo trabalho completo de mixtape pois a sensação é que se trata de um álbum muito redondo. Se comentei como Twigs – e, mais a frente na lista, Erika de Cassier – se apropriaria da sonoridade noventista, aqui temos uma inspiração clara no maximalismo dos anos 2000, alvo de uma onde de nostalgia vazia recentemente, mas que a inglesa arranja com muita personalidade criando um som que parece mais apontar ao futuro que ao passado

22. Geese – Getting Killed
Como alguém que acompanhou mais de perto que o saudável a onda de bandas de rock e post-punk da geração z que surgiram entre a grã Bretanha e os estados unidos nos últimos anos, nunca apostaria que, dessas, seria justamente o Geese a estourar tanto quanto o fez esse ano. Foi um fenômeno curioso acompanhar a álbum solo do vocalista Cameron Winter Heavy Metal ganhar tração nos primeiros meses de 2025 ao ponto de quando lançado, Getting Killed ter sido tanto associado pelos que primeiro descobriram o vocalista em excursão solo.
O álbum é um retorno ao post-punk esquisito e caipira de um jeito que só o Brooklin poderia conceber e um aprofundamento do universo lírico próprio que a banda começou em seus dois primeiros álbuns, seguindo por caminhos cada vez mais estranhos e radicais, do berro “THERE’S A BOMB IN MY CAR” da faixa de abertura ao desolador e aventureiro “I have no ideia Where I’m going / Here I Come” em seus momentos finais, é um álbum que surge muito da frustração da geração z com o mundo que ela se depara nos primeiros anos de vida adulta e por isso talvez tenha conquistado um público tão fiel ao longo do ano.

21. Sudan Archives – THE BPM
Para quem conheceu o trabalho da violinista Brittney Parks por seus álbuns anteriores, mais próximos do R&B alternativo, flertando por vezes com o hip-hop e eletrônico experimental, provavelmente teve um susto quando ouviu THE BPM, um pop eletrônico extremo, dançante e divertido. É um álbum de absoluto movimento, que leva os mais variados acontecimentos da vida com leveza e representa uma grande artista underground calcando terreno em um público maior sem perder sua autenticidade, pelo o contrário, ganhando contornos novos e provando que pode ser ainda maior do que as primeiras percepções.

20. أحمد [Ahmed] – سماع [Sama’a] (Audition)
Reimaginação radical e expansiva de Jazz Sahara, de Ahmed Abdul-Malik (1958), o primeiro registro de estúdio do grupo [Ahmed], liderado pelo o veterano Pat Thomas a partir de seu incomodo da falta de visibilidade de Abdul-Malik no cânone do jazz, se difere de suas gravações ao vivo anteriores na medida em que, ouvindo as gravações logo depois de tocá-las, tinham a oportunidade de refazê-las, criando assim camadas muito complexas de improviso e decisões, se tornando muito mais que um cover do álbum original, mas um raciocínio próprio e contemporâneo, sem nunca esquecer Ahmed Abdul-Malik como luz inicial.

19. Oneohtrix Point Never – Tranquilizer
Cavoucar arquivos antigos na internet é uma atividade que pode resultar em muitas surpresas, descobrir arquivos hoje quase ilegíveis do inicio da era de compartilhamentos que provavelmente as pessoas que fizeram o upload inicial não tinham ideia de quanto tempo durariam na rede é um trabalho de arqueologia que revela verdadeiros novos mundos. O novo trabalho de Daniel Lopatin, aqui novamente em seu projeto solo Oneohtrix Point Never, traduz esse maravilhamento com um álbum inteiro feito a partir de um arquivo de samples dos anos 90 encontrado no internet archive, trabalhados em uma colagem em que cada novo som sobreposto mil novas possibilidades são abertas em uma complexa árvore de arquivos que vão ao limite do digital.

18. Anna Högberg Attack – Ensamseglaren
O apocalipse será em free jazz. O grupo bissexto (em 10 anos de existência lançaram, antes desse, apenas um álbum em 2016 e outro em 2020) liderado pela sueca Anna Högberg faz em dois lados um disco denso e sombrio, sempre assombrado pelo drone das guitarras e por suas inquietantes duas baterias, Ensamseglaren – algo como marinheiro solitário, em tradução – é uma espiral hipnotizante.

17. Black Country, New Road – Forever Howlong
Uma celebração da multiplicidade e do lado feminino da banda. No primeiro álbum pós saída do vocalista original, a banda inglesa usa as possibilidades do estúdio para um som mais complexo que do ao vivo Live at Bush Hall, mas sem deixar de lado o estilo instrumental mais minimalista que adotaram nessa nova fase. Por vezes pode até parecer um álbum fofo demais, mas se trata talvez do momento mais maduro da banda.

16. Rafael Toral – Traveling Light
É difícil ouvir o cover que guitarrista Rafael Toral faz de My Funny Valentine sem lembrar da clássica versão que o mestre John Coltrane fez de My Favorite Things, são duas melodias de Richard Rodgers que são feitas de formas completamente inventivas e imprevisíveis, em alguns momentos assumindo formas irreconhecíveis. Mas em Coltrane estamos ouvindo uma música de Rodgers com Hammerstein, alegre e esperançosa, aqui, o português pega emprestado uma canção que o músico ainda fez em sua parceria com Lorenz Hart, com sentimentos complexos e por vezes absolutamente melancólica. O resultado é um drone expansivo, que tem em seu encontro com uma guitarra uma visão tão triste quanto intrigante, mesmo para uma música tão conhecida.
Curiosamente, as diferenças entre as diferentes fases da carreira de Richard Rodgers ainda vão ser assunto na lista de melhores filmes desta mesma coluna.

15. Feeo – Goodness
Há um certo momento de Here, um destaque do primeiro álbum solo da britânica Feoo, Goodness, que tive a impressão de estar ouvindo a voz de Beth Gibbons, e escrevo isso como o maior dos elogios. É um álbum, inclusive, que resgata muito da esquisitice sombria do primeiro álbum do Portishead e talvez essa minha impressão tenha vindo, além do timbre, dessa sensação que a voz da cantora carrega de ecoar em si uma história ancestral e fantasmagórica. Para não ficas só nas comparações, é sem dúvidas um álbum de estreia impressionante que revela uma artista já muito madura e com um controle sonoro incrível. Uma das grandes surpresas do ano.

14. Lucrecia Dalt – A Danger to Ourselves
Por falar em estranheza, acho justo falar que em Danger to Ourselves faz de seu universo particular algo bem mais estranho. Ainda é possível ouvir a sonoridade eletro-acústica do seu último álbum ¡Ay! mas tudo soa mais sombrio. É um trabalho menos abstrato e mais frágil, uma coleção de composições sobre a conexão humana e o desejo, não a toa a primeira música é com a participação de do marido de Lucrecia, o ícone da new wave David Sylvian, aqui com uma voz muito mais envelhecida do que a que marcou no Japan e claramente Dalt se diverte em usá-la como mais um dentro de suas complexas camadas de sons.

13. Anna von Hausswolff – Iconoclasts
A sueca Anna Von Hausswolff, conhecida pelo seu trabalho de drone e darkwave, aqui embarca em algo muito diferente, um visceral épico post-rock. Talvez o mais impressionante aqui seja a maneira como ela modula sua voz em uma performance intensa e frágil e a faixa que de cara já chama mais atenção, o dueto com Iggy Pop, não é nada obvio e, até de forma meio parecida com a participação de David Sylvian no álbum anterior (curioso como essas três última entradas da lista conversam), é uma voz usada de forma muito inteligente. A maximalista Struggle with the Beast talvez seja um dos grandes momentos musicais desse ano.

12. Ichiko Aoba – Luminescent Creatures
A japonesa Ichiko Aoba continua aqui em seu universo folk particular que vem sendo construído ao longo dos últimos 15 anos. Inspirada por suas próprias explorações marinhas, o álbum tem como título a última faixa de seu trabalho de 2020 Windswept Adan e soa como uma continuação dele com seus arranjos orquestrais, porém controlados dentro da intimidade tradicional da cantora. Pode até ser acusado por alguns como mais do mesmo, mas são tantos momentos bonitos proporcionados que fica claro que nesse mesmo ainda há muito para ser explorado.

11. Model/Actriz – Pirouette
Passam as décadas e o punk nunca deixa de ser – mesmo que não por falta de tentativas – um espaço queer. O grupo nova iorquino Model/Actriz já provou isso em seu álbum de estreia Dogsbody trazendo temas gays muito contemporâneos em uma sonoridade entre o industrial, post-punk e dance punk. Este segundo álbum é uma continuação de raciocínio com uma sonoridade mais madura, o vocalista Cole Haden narra suas experiências pessoais, que vão desde a infância no armário até os encontros em viagens pela a europa, com um misto de crueza, melancolia e raiva que lembra por vezes Trent Reznor do Nine Inch Nails e Jamie Stewart do Xiu Xiu. Há também uma crueza no uso da drum machine que remete a Suicide, pioneiros no uso. É uma história muito clara do industrial e do post punk vista a partir da ótica queer da geração z, por isso talvez uma das bandas mais empolgantes da atualidade.

10. Water From Your Eyes – It’s a Beautiful Place
Uma guitarra que parece ter saído de uma música do Slint, misturada com uma batida pop meio torta mas ainda assim dançante, tudo sob um vocal descolado que constrói o próprio mundo com um misto de vagueza e auto curtição. O novo álbum do duo americano Water From Your Eyes é toda essa mistura e um pouco mais, levando ao extremo o que eles construíram nos projetos anteriores em uma divertida e imprevisível viagem. Parece absorver as mesmas tendências que outros grupos também estão olhando, como o britânico Jockstrap e a dinamarquesa SMERZ, mas aqui tudo é assimilado de forma muito mais radical.

9. Jane Remover – Revengeseekerz
Em uma entrevista para promover Revengeseekerz, Jane Remover comentou como o álbum parece muito “música de video-game”, até mesmo o título lembra um jogo. Vou um pouco além pois não me parece apenas uma música de video-game, mas que a própria sensação de ouvir o álbum parece a de jogar um jogo, daqueles muito rápidos e coloridos. Passar de faixa para faixa é como emendar uma fase em outra, por vezes novas texturas e sons são apresentados mas em essência tudo parece um frenético bloco único que guia o jogador-ouvinte nesse intenso universo digital de Jane Remover. A única escapatória para ele é seguir explorando.

8. Avenida Paulista, da Consolação ao Paraíso – Avenida Paulista, da Consolação ao Paraíso
Meses já se passaram da última apresentação de Avenida Paulista, da Consolação ao Paraíso no teatro Sesi e hoje o musical de Felipe Hirsch não passa de uma boa memória para quem teve o privilégio de assistir, fica como registro esse álbum que é muito mais do que uma gravação de estúdio de um musical. Gravado pelos compositores originais das canções, que vão de Arnaldo Antunes e Alzira E até Juçara Marçal, Negro Léo e Maria Esmeralda, coordenados pela incrível Maria Beraldo, é o registro de uma certa certa alternativa da MPB contemporânea em um poderoso encontro na metrópole paulistana abraçando seus maravilhamentos e contradições.

7. Perfume Genius – Glory
Mike Hadreas parecia ter atingido o ponto mais radical de seu pop com o esquisito e teatral Ugly Season, de 2022. Aqui, parece escapar um pouco do pop em um álbum folk, iniciado a partir de seus pensamentos durante a quarentena da pandemia. O som pode ser novo mas seus fantasmas são antigos e há nas letras aqui um verdadeiro exorcismo emocional, que passa por traumas, sonhos, pesadelos e fantasias dentro de uma cruza poética e melancólica. Talvez não tenha a ambição de seus álbuns anteriores, mas há nele um alento muito precioso.

6. Los Thuthanaka – Los Thuthanaka
Uma explosão. A colaboração entre os irmãos Chuquimamani-Condori e Joshua Chuquimia Crampton articula a sonoridade da ancestralidade andina da dupla com a mais avançada música eletrônica, uma colagem indecifrável que cria um som que nos lança para o futuro. Com o passar de cada uma de suas oito faixas, o álbum vai ficando mais agitado e caótico mas todos esses sons nunca saem do controle absoluto dos irmãos que foram sem duvidas duas das mais importantes figuras da música desse ano.

5. Ninajirachi – I Love My Computer
“It sounds like iPod Touch, little crack in thе screen / FL Studio so late, I fell asleep on the kеys / With it looping through the speakers, bleedin’ into my dreams” canta Ninajirachi em Ipod Touch e parece que não há jeito melhor de descrever como soa o álbum com o sugestivo título de I Love my Computer. Ela cria nele um EDM hiperconectado que só poderia sair de alguém que não apenas passou madrugadas na frente do FL Studio – que atire a primeira pedra… – como venceu o programa e transcreveu nele tudo que estava na sua cabeça. A australiana encapsula no álbum todas as vontades, sonhos e inseguranças de sua vida online demais, digital demais, pois a música é o que a move e ela precisa descobrir como esses sons mágicos são feitos para poder expressar tudo o que ela quer.

4. Pulp – More
Crescer. Ou morrer tentando. O primeiro álbum do Pulp em 24 anos tem tudo o que se pode esperar de Jarvis Cocker e companhia. Há versos sobre as finanças da classe média, sobre desilusões amorosas auto impostas e longas baladas que não levam a nenhum lugar específico. A única diferença é que hoje o dândi de Sheffield já passa dos 60 anos e se essa manutenção temática prova alguma coisa é a atemporalidade das histórias que sempre contaram, mas o mundo hoje está diferente daquele onde a banda parou e tudo isso entre em seus pensamentos, o momento mais marcante desses novos temas é My Sex, uma divertidíssima e inteligente canção na qual o vocalista se contorce perante os questionamentos de gênero que conquistaram espaço no discurso público nas últimas duas décadas.
Essa crise com a própria idade percorre More de diferentes maneiras, mas talvez seja logo na primeira faixa, onde aparece de forma até que sutil, a mais bonita e a que mais explica o álbum. Recontando o lendário show dos Stone Roses que estava presente, Cocker relembra praticamente sua motivação de vida ” I was born to perform / It’s a calling / I exist to do this / Shouting and pointing “.
E ainda bem que você se lembrou, Jarvis.

3. Rochelle Jordan – Through the Wall
Ladida, a primeira canção de Through the Wall, serve como um excelente cartão de visita de Rochelle Jordan. Começa emendando um vocal que absorve muito do R&B alternativo contemporâneo em um refrão que remonta o house de Crystal Waters e o disco de Donna Summer engata um final onde surge um hip-hop e tudo isso se completa de forma encantadora. Este segundo álbum de estúdio da canadense que ficou 15 anos como independente prova que esse tempo a formou uma popstar completa, com muita personalidade e um som sofisticado e desenvolvido, que está pronta para conquistar o mundo. Resta saber se o mundo está pronto para ela.

2. Erika de Casier – Lifetime
Depois de seus últimos dois álbuns lançados pelo o selo 4AD e de compor o último EP do grupo de K-Pop Newjeans, parecia que Erika de Casier estava prestes a decolar. A decisão de laçar Lifetime de forma independente reflete um momento de total liberdade e serve como gesto de afirmação artística. Talvez como consequência disso, é o mais intimo e solto de seus álbuns, assimila o downtempo noventista para criar seu próprio universo, que resulta em momentos como o vocal absolutamente hipnótico do refrão de You Can’t Always Get What You Want até o surpreendente sample de relincho de cavalo em Delusional que, dentro da minimalista alquimia musical da dinamarquesa, simplesmente funciona.

1. Jenny Hval – Iris Silver Mist
Notas sobre a crise na performance. Se essa última foi talvez uma das palavras mais usadas e com significado estendido desse ano, Jenny Hval se volta a ela e faz um álbum que troca seus habituais temas fantásticos por reflexões do que talvez seja o mais essencial dentro disso: um corpo sobre um palco. Em suas delicadas e complexas letras ela transita do isolamento da pandemia até seus conflituosos questionamentos que vão desde o processo de composição até o olhar para sua plateia durante shows. Tudo está na fina linha entre a presença e a ausência e como a música precisa destes dois elementos juntos e Jenny Hval se faz, ao mesmo tempo, presente e ausente por meio do som, e nada mais importa além dele.


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